terça-feira, 17 de abril de 2012

não há nada de bom nas relações excepto o tempo em que achamos que nos amam

1. a relação xyz falha - cansamo-nos psicologicamente (começamos a tentar forçar o riso e passamos a vida a chorar, ficamos frustradas, não sabemos se havemos de desistir ou insistir, perguntamo-nos sobre o porquê de ter corrido mal, chamamos fdp a todos os gajos, andamos mal-humoradas e quando passamos por eles está tudo óptimo connosco, queremos saber se eles estão mal ou não e tudo na nossa cabeça se transforma em ideias pouco coerentes)

2. começamos a comer (tipo equipa de futebol) - sim porque temos de comer para compensar essa lacuna do coração (porque a comida é uma fonte inesgotável - no prisma das sociedades capitalistas e desenvolvidas das classes média, média-alta, alta. embora nesta última abunde o dinheiro para lispoaspirações e portanto isto nalgumas situações pode ser inválido) de prazer e felicidade  OU deixamos de comer - porque temos um nó na garganta, no estômago e até, quem sabe, nos intestinos e na bexiga, e o mais provável é ficarmos anoréticas ou bulímicas e acabarmos por apodrecer no hospital (provavelmente na psiquiatria)

3. cansamo-nos dessas dores de coração e cabeça e começamos a querer preencher a nossa vida e cabeça com atividades (jogos de computador, ler, fazer exercício físico, fazer limpezas, etc) para além daquelas que já temos de fazer todos os dias (trabalhar, ir à escola, conviver com pessoas de quem não gostamos...), e fisicamente começamos a desgastar-nos e a não ter tempo para descansar

4. lentamente começamos a desistir dessa vida demasiado ocupada, entramos no processo de sedentarização e amolecemos no sofá assim que temos tempo de sintonizar a televisão na SIC mulher e ver a Oprah e a sua entrevista ao Zac Efron, Robert Pattinson, Josh Duhamel, Tom Cruise, etc. Transformamo-nos em lapas que comem gelado e bolos e vêem comédias românticas para compensar o falhanço dos amores, dos projectos de vida, da dieta, do que quer que tenhamos tentado construir ou alcançar no ponto 3

5. ao fim de determinado tempo  reparamos que estamos a ficar obesas, tentamos fazer dieta e exercício físico (mas psicologicamente estamos tão desfeitas que acabamos por desistir), ficamos sem auto-estima e todas as relações seguintes (ou possíveis tentativas) falham porque somos incapazes de nos amarmos a nós próprias e portanto de amarmos alguém.

6. estamos um farrapo a todos os níveis e reparamos que não estamos a fazer nada no mundo (e que ainda gostamos do tipo da relação xyz) e tentamos cometer suicídio. se correr bem morremos. se correr mal o mais provável é sermos internados na ala psiquiátrica do hospital ou numa instituição com um fim semelhante, até o suicídio dar resultado ou até alguém nos convencer que somos lindas por dentro e que o nosso peso e forma do corpo não interessam (mesmo vivendo numa sociedade em que a primeira coisa em que se repara é a estética). ou, na melhor das hipóteses, temos um ataque cardíaco e batemos a cassoleta (pessoas obesas são mais vulneráveis a morrerem de doenças cardio-vasculares).

a minha visão mais pessimista do assunto.

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