sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

um beijinho e um abraço

chegou, disse-me para pegar na minha mesa, na minha cadeira e escoltou-me até à outra porta. a última coisa que vi, além de pessoas que me consideravam pouco sã (nada de extraordinário ou fora do comum), foi um olhar de súplica, um ''não vás, não me deixes''. mas eu fui. 
na verdade, passara a última semana a dizer-me repetidamente ''não vás, eu preciso de ti aqui'', e se fosse por ela, eu tinha ficado. 
esse foi o último dia em que a vi, ou pelo menos foi o último dia em que a conheci. 
foi uma dor que acarretei durante muito tempo, às vezes ainda sinto uns restos dela à deriva no meu coração, ou às vezes quando bebo um pouco demais eu lembro-me, às vezes ainda olho para as minhas mãos e vejo o excesso de verniz cor-de-rosa fluorescente a escorrer-me pelos dedos enquanto ela se ri e diz que tenho unhas de pinguim. 
é estranho: há pessoas que ficam em nós, independentemente do tempo, ou das nossas escolhas, ou da sua ausência física. 

outra R
(guardei a tua folha quadriculada escrita com o marcador vermelho, com as lista de razões para não te deixar. e às vezes quando a leio, e não só a ela, como também outras coisas que me escreveste,
 eu tenho saudades tuas.)

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