sexta-feira, 13 de setembro de 2013

camadas geológicas

o teu coração é como a Terra. isso mesmo, como a Terra. gigante, mas impenetrável. tens aquela camadinha que a maioria das pessoas consegue escavar que é a crosta terrestre. a maioria limita-se a isso, a essa tua camada superficial. eu nunca me contentei. cavei fundo e passei pelo manto superior, que acho que é onde os teus amigos estão, não sei porquê, mas sei que eles ficaram por aí. e eu furei, como uma toupeira (não que elas consigam ir até tão longe, mas eu sempre fui especial), o manto inferior. estava mesmo a chegar ao núcleo externo quando percebi que era quente demais para mim. ou morria a tentar ou ficava por ali. não percebi se não me senti a morrer por estar tão perto e ter de desistir. ou se não me queimei na mesma. porque eu senti uma dorzita, mas talvez tenha sido só a sensação que se tem nos dentes quando comes um gelado. se calhar devia ter morrido a tentar. talvez eu pudesse ter preparado o caminho para alguém. não sei.

certo é que a gaja que ficar contigo vai chegar ao núcleo interno. e vai meter lá uma bandeirinha como aqueles homens que trepam montanhas e metem uma, quando chegam ao cume. uma bandeirinha em sinal de vitória e objectivo cumprido. isso é certo. eu só queria que a bandeirinha fosse minha.

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