domingo, 18 de novembro de 2012

i used to laugh

era sábado de madrugada. já passava das seis. não sei bem. enquanto estou entre o sonho e a realidade nunca sei bem que horas são, especialmente se for fim de semana. 
era sábado de manhã e eu vou assumir que dei conta do perfume do D às sete e quarenta e oito. e catorze segundos. mas pareceu-me uma ideia estúpida. 
era sábado. o D nunca viria a minha casa tão cedo, principalmente a um fim de semana. com o meu pai em casa; pelo menos o meu pai nunca lhe iria abrir a porta, ou se o fizesse, provavelmente seria de caçadeira na mão. 
não interessa. eram sete e quarenta e picos e aquele cheiro não saía de ao pé de mim e eu queria dormir. não é que não goste do D, mas costumava aturá-lo cinco dias por semana, gostava que ele me desse um descanso, nem que fosse só durante o sábado. de qualquer das formas, os domingos não prestam e já são merda porque depois é segunda. 
era sábado de madrugada, entre as sete e as oito, e o cheiro a D estava a minar o espaço e a incomodar-me. como se entrasse no meu sonho e encarnasse o próprio do D. e depois vejo-o a caminhar ao meu lado, sempre feliz, sempre chato, sempre ele mesmo. com aquele perfume másculo, como se fosse motivo de orgulho ou o tornasse mais homem, ou só por ser caro, ou ele achasse que atraía miúdas. 
acordei e dei conta de um envelope amarelo, com cheiro a D-em-dias-de-sair-à-noite-com-os-amigos, ao pé da minha almofada. perguntei-me se teria sido ele a mete-lo ali. estremeci com a ideia de alguém ter estado a apreciar a minha figura enquanto dormia. 
estranhei o envelope e abri-o. dizia ''Parabéns!''; era sábado de madrugada e eu ri-me, afinal eu fazia anos. 

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