domingo, 2 de dezembro de 2012

a ti, estranho

''gostava em ti muitas coisas. gostava. agora não sinto nada. passo por ti, como algumas pessoas passam pela vida sem nunca a viverem.
gostava em ti as coisas mais simples, coisas essas que contrastavam com o meu eu absurdamente complexo. gostava da honestidade. agora perdeste-a. gostava da pureza de cada gesto, emoção ou palavra. costumavas saber tudo de mim, sabias a minha podridão interior, as minhas virtudes, os medos que me perseguiam e assombravam. conhecias até, no meio de tudo isso, uns certos rasgos de audácia no meu coração frágil e dilacerado.
costumavas saber protegê-lo. prometeste-me que seria teu só enquanto pudesse ser, só enquanto pudesses tomar conta dele. e quando isso se tornou impossível, roubaste-o. fugiste com ele. passaste a ter dois corações.
porém, o tempo revelou demasiadas dificuldades, e sem conseguires acarretar com o peso de dois corações, viste-te obrigado a deixar um.deitaste-o fora. deitaste o meu, fora. podias-mo ter devolvido. foste só cobarde, como aprendeste a ser. 
deixaste o meu coração a mendigar, nas ruas desconhecidas e estranhas, na noite escura, sem saber quem era. deixaste-o a mendigar por verdades. qualquer coisa para sobeviver.
foi isso que a política te ensinou? não te importa que ele tenha confiado em ti? muito bem, eis que realizaste o teu maior desejo: tornaste-te um político. um sócrates, um jardim, mais um, qualquer um, o povo diz que são todos iguais. e tornaste-te um político do amor. e encontraste no teu caminho o maior dos paradoxos: a política rege-se pelo poder, pelos meios de o obter, pelo capital, pela ganância, e o amor, o amor é inverso disso. 
se o amor és tu, então prefiro não amar. é que deixaste um buraco em mim. deixaste-me sem coração, apenas com esta coisa que todos chamam de saudade. e não podes, nem consegues, nem queres ou tentas, medir a falta que o meu coração, ou mesmo tu, me fazem. não consegues. eu sinto-a nos dedos enquanto te escrevo, pateticamente, isto.
mas eu já não sei quem és.''


2 comentários:

  1. Your writing is bad! You should feel bad! =0 =0

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  2. ao menos dou a cara. as pessoas sabem quem sou, sabem o meu nome, conhecem-me e à minha história (a maioria).
    e não, não me sinto mal, de todo. não me conheces de lado nenhum para dizeres o que eu devia ou não sentir e baseias-te em quê para dizeres que escrevo mal? onde é que estão os argumentos? se for só uma questão de opinião? lol, isso é relativo.


    mas agradeço o facto de ter pessoas (como tu) a preocuparem-se com a minha consciência. embora dispense isso completamente ;)

    mas proporcionaste-me um bom momento de riso.

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