fuma o cigarro. pega nele como se de um tesouro se tratasse, penso que perdeu o juízo, ninguém escolhe um cigarro como tesouro. ocorre-me que possui este gosto por pessoas e coisas estranhas.
pega nele para fumar mais, lenta e intensamente, como se o tempo parasse para o ver fumar e esse poder se concentrasse nas mãos finas e compridas de tez mouresca.
expira. olha para mim com estes seus olhos grandes e castanhos, filtrando as pessoas enquanto mantém uma conversa. pouco depois abre um sorriso que segundos mais tarde metamorfisa numa risada forte e sonora. penso que é fácil fazê-lo rir, é fácil falar com ele, qualquer coisa, por mais complicada que pareça ou seja, se torna melhor ou mais fácil com ele por perto, inclusive eu.
olho para ele e invade-me um sensação profundamente aterradora e profundamente fascinante. é que, vê-se cercado de inúmeras pessoas, sem saber, ou notar ou desconfiar sequer, que a sua simples existência, justifica em grande parte a minha.
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